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Vírus da mononucleose pode desencadear Esclerose Múltipla, aponta estudo de Harvard

Pesquisadores analisaram que, de 801 pacientes com Esclerose Múltipla, 800 já foram infectados pelo vírus da mononucleose, a doença do beijo, em alguma fase da vida

VIVA SAÚDE Publicado sexta 14 janeiro, 2022

Pesquisadores analisaram que, de 801 pacientes com Esclerose Múltipla, 800 já foram infectados pelo vírus da mononucleose, a doença do beijo, em alguma fase da vida
Vírus da mononucleose pode desencadear Esclerose Múltipla, aponta estudo - FREEPIK

Uma pesquisa conduzida por cientistas da Escola de Saúde Pública TH Chan, de Harvard, nos Estados Unidos, revelou que a mononucleose, também conhecida como 'doença do beijo', por ser causada pelo vírus Epstein-Barr (EBV), transmitido pela saliva, é capaz de causar esclerose múltipla, doença degenerativa sem cura que afeta, aproximadamente, 2,8 milhões de pessoas ao redor do mundo.

A relação entre as duas condições já havia sendo investigada há algum tempo, mas até então, não haviam conclusões sobre o tema. 

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“A hipótese de que o EBV causa EM tem sido investigada por nosso grupo e por outros há vários anos, mas esse é o primeiro estudo que fornece evidências convincentes de causalidade”, disse Alberto Ascherio, principal autor do artigo que foi publicado na revista Science nessa quinta-feira, 13 de janeiro.

Epstein-Barr é fator de risco para esclerose múltipla?

A pesquisa americana analisou os dados de 10 milhões de militares do país, coletados durante duas décadas, e descobriu que o risco de desenvolver esclerose múltipla é 32 vezes maior entre as pessoas que já foram infectadas pelo Epstein-Barr. A mesma relação não existe com outras doenças virais.

“Estamos trabalhando com essa hipótese, que o Epstein-Barr seja um fator de risco para esclerose múltipla, há 20 anos”, expõe a cientista Kassandra Munger, co-autora do estudo.

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Os dados dos militares permitiram que os pesquisadores descobrissem que de 801 pacientes doença autoimune, apenas 1 deles não foi infectado pelo vírus.

Também encontraram indícios de uma proteína que tem sua concentração aumentada no sangue após danos às células neurais apenas após a contaminação pelo Epstein-Barr, indicando que ela só aumentou após a infecção. “Essa é uma evidência forte de causalidade”, disse Munger ao site Live Science.

Outros estudos também já apontaram a presença de altos níveis de anticorpos contra o vírus da mononucleose em pacientes com Esclerose Múltipla, mas, até o momento, nenhuma pesquisa conseguiu demonstrar como Epstein-Barr atuaria no organismo para desencadear a doença autoimune.

Último acesso: 29 Jan 2022 - 10:37:00 (3881).