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Ginecologista fala sobre a importância da cobertura vacinal de dTpa para gestantes; imunização teve queda de 13%

Baixa cobertura vacinal pode possibilitar retorno de surtos de coqueluche, na cidade a doença figura entre as principais causas de mortalidade de crianças de até seis meses

Viva Saúde Publicado sexta 11 junho, 2021

Baixa cobertura vacinal pode possibilitar retorno de surtos de coqueluche, na cidade a doença figura entre as principais causas de mortalidade de crianças de até seis meses
Ginecologista fala sobre a importância da cobertura vacinal de dTpa para gestantes; imunização teve queda de 13% - Freepik / jannoon028

Dados do Programa Nacional de Imunizações obtidos pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) apontam queda de 13% na cobertura vacinal de dTpa gestante (vacina que previne contra coqueluche, difteria e tétano), na cidade de São Paulo, no último ano. As taxas que se mostravam relativamente baixas entre as grávidas da capital paulista (73,89%), no ano anterior à pandemia de Covid-19, caíram ainda mais em meio à crise sanitária deflagrada pelo novo coronavírus.

Em 2020, a cobertura vacinal ficou em 64,15%. Em todo o estado, a redução média foi de 34,6%. A cobertura vacinal na Região Metropolita de São Paulo, contudo, manteve-se estável no patamar de 67%. A meta para essa imunização é de 95%.

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“A vacina dTpa é segura e está disponível a todas as gestantes, em unidades públicas de saúde. A imunização previne complicações gestacionais evitáveis e, principalmente, que o bebê seja infectado num momento em que sua imunização primária não está completa.", explica a ginecologista Dra. Cecilia Roteli Martins, presidente da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da Febrasgo.

"Nos pequenos, sobretudo, menores de seis meses, a coqueluche, por exemplo, está associada a elevado risco de morte. Entre 2012, 2014 e, mais recentemente, em 2018, observamos expressivo aumento de casos de coqueluche, no Brasil. Ao mesmo tempo, a cobertura vacinal tem se mantido baixa. Mais do que nunca, precisamos evitar que novos surtos aconteçam.”, continua a profissional.

Imunidade Materna e Infantil

Dentre outras alterações, o período gestacional é caracterizado por relativa diminuição da imunidade adaptativa para acolhimento do material genético paterno, estranho ao corpo da mulher. Essas alterações mantêm-se ao longo da gestação e são revertidas gradualmente à normalidade, ao longo dos 12 meses posteriores ao parto. Nesse período, a imunidade do feto e do bebê encontra-se em contínua formação. “Anticorpos maternos da classe IgG atravessam a placenta e conferem proteção passiva à criança até, aproximadamente, os 15 meses de vida. Esses anticorpos também são transmitidos pelo leite materno”, destaca a médica.

A transmissão de coqueluche e difteria ocorre, majoritariamente, por meio de gotículas de secreção respiratória (fala, tosse ou espirro). O tétano neonatal é transmitido por meio da contaminação do coto umbilical com os esporos da bactéria presente instrumentos não esterilizados adequadamente.

“Os casos de coqueluche estão ligados à necessidade de vacinação da gestante e/ou do bebê. A gestante pode receber a dTpa a partir da 20ª semana. De acordo com seu histórico de imunização, pode ser recomendada uma ou duas doses da vacina. Em caso de novas gestações, a mulher deve refazer o esquema vacinal para proteger a nova criança em formação”, completa a Dra. Cecília.

Último acesso: 24 Jul 2021 - 02:28:42 (2601).