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Arritmia cardíaca: entenda como ocorre a doença que levou à internação do apresentador e humorista Carlos Alberto de Nóbrega

Conforme a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), mais de 20 milhões de brasileiros possuem algum tipo da doença

Jennifer de Carvalho com supervisão de Marina Pastorelli Publicado sexta 22 outubro, 2021

Conforme a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac), mais de 20 milhões de brasileiros possuem algum tipo da doença
Como ocorre a arritmia cardíaca - Instagram/calbertonobrega

Ritmos alterados nos batimentos cardíacos, seja com aceleração ou lentidão, caracterizam a chamada arritmia cardíaca. Dados da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac) mostram que mais de 20 milhões de brasileiros possuem algum gênero da doença. Essa foi a condição que causou a internação do integrante do programa A Praça É Nossa, Carlos Alberto de Nóbrega, de 85 anos, nesta quarta-feira, 20. O humorista passou por um processo de cateterismo nesta quinta-feira, 21, de acordo com a assessoria do SBT, e tem previsão de voltar às gravações na próxima segunda-feira, 25. 

Essa é uma doença que pode estar ligada a doenças além da parte cardíaca, como diz o coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital Sino Brasileiro e membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, Dr. Elcio Pires Junior, como “anemia, ansiedade e estresse, o hiper e hipotireoidismo”. Na região do coração, o especialista cita: a doença coronariana, as valvulopatias e doenças infecciosas como a doença de Chagas.

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COMO A ARRITMIA ACONTECE NESSES CASOS

Para entender melhor como acontece a geração da arritmia nessas doenças, o especialista explica o seguinte:

Anemia: “Você tem uma diminuição dos glóbulos sanguíneos, que são responsáveis pela condução do oxigênio até os tecidos, e essa dificuldade pode gerar algum distúrbio arrítmico nas células cardíacas por baixa dessa hemoglobina”

Ansiedade e estresse: “Principalmente por conta da liberação de alguns hormônios que acabam estimulando o sistema de condução, podendo gerar algum tipo de arritmia”.

Hiper e hipotireoidismo: “Os hormônios tireoidianos têm uma função bem específica relacionadas tanto com a taquicardia quanto a bradicardia. Então, a diminuição ou a produção excessiva desses hormônios podem gerar, também, uma doença arritmogênica”

Doenças cardíacas: “Sempre gerando algum tipo de alteração estrutural no coração, ou seja, quando você tem a perda de função e aumento das câmaras e distensão dos músculos cardíacos, você pode ter alteração no sistema de condução, podendo gerar arritmias”

Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% das crianças com menos de 5 anos ao redor do mundo têm anemia. No Brasil, a organização considera o quadro de anemia “leve” no país. Enquanto isso, a OMS considera o Brasil como o mais ansioso do mundo, em que antes da pandemia já haviam mais de 19 milhões de brasileiros com o transtorno.

Quando se fala de faixa etária, é possível ocorrer arritmias em qualquer idade. “Existem crianças com arritmias, de fundo genético, adultos jovens também, relacionado talvez à parte de ansiedade e de outras doenças, como hipo e hipertireoidismo e anemia, e nos idosos está mais associada à alterações do próprio coração, como valvulopatias e doenças coronárias”, explica o Dr. Elcio Pires. Um levantamento do Serviço de Arritmias Cardíacas do HCor mostrou que entre 2010 e 2018, 50% das pessoas que passaram pelo serviço tinham entre 45 a 74 anos e 7% tinham de 15 a 29 anos. 

Os idosos devem ser um olhar mais cuidadoso com essa condição, “porque eles têm a possibilidade da junção de todos os componentes da geração de uma doença arritmogênica, como doenças não cardíacas e cardíacas, então os idosos, hoje, é um grupo que a gente se preocupa um pouco mais para observar as doenças do cunho arritmogênico”

SINTOMAS 

O especialista lista os principais sintomas, tanto das taquiarritmias quanto das bradiarritmias:

  • Falta de ar;
  • Cansaço;
  • Desmaios;
  • Palpitação, no caso das taquiarritmias. 

NÍVEIS DE ARRITMIA

As arritmias são classificadas em dois tipos: benignas e malignas. “Normalmente, as arritmias benignas não têm tanta influência no coração e, geralmente, o paciente convive muito bem com ela. Às vezes há a necessidade de um tratamento medicamentoso, mas não mais do que isso”, aponta o especialista. 

Em relação ao tipo maligno, a atenção deve ser maior. O Dr. Elcio Pires diz que elas são “realmente muito preocupantes”, pois, “podem gerar, inclusive, quadros de morte súbita por conta dessas arritmias”. As mais comuns, como diz o coordenador de cirurgia cardiovascular, são: 

  • Taquicardia ventricular;
  • Bradicardias;
  • Doença do Nó Sinusal. 

CUIDADOS 

Conforme o Dr. Elcio Pires, os cuidados essenciais para toda a população são:

  • Evitar o consumo de bebidas alcoólicas e de estimulantes;
  • Manter as consultas regulares com o cardiologista ou arritmologista;
  • Sempre manter a realização de atividades físicas. 

ATIVIDADES FÍSICAS

Para quem possui arritmias, ao realizar uma atividade física é importante ter o conhecimento do seu tipo de arritmia com o médico. “Ver com o seu cardiologista a possibilidade da realização de atividades, se pode ser realizada atividades mais intensas ou se tem que ser mais moderadas ou leves, e, se possível, sempre usar um frequencímetro, um aparelhinho que vai medindo a sua frequência cardíaca conforme você vai fazendo a sua atividade, indica o especialista.

No caso do surgimento de alguns dos sintomas, é importante ressaltar que se busque um médico para a realização de uma avaliação.


Sobre o especialista:

Dr. Elcio Pires Junior é coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital e Maternidade Sino Brasileiro - Rede D'or - Osasco, e coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital Bom Clima de Guarulhos. É membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e membro internacional da The Society of Thoracic Surgeons dos EUA. Especialista em Cirurgia Endovascular e Angiorradiologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. E atualmente é cirurgião cardiovascular pela equipe do Dr. André Franchini no Hospital Madre Theodora de Campinas.  

Último acesso: 29 Jan 2022 - 11:04:35 (3454).