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Da queda capilar ao desenvolvimento do câncer: entenda 7 consequências do consumo de doce ao organismo

Nosso time de especialistas reuniu dicas, também, para amenizar os malefícios da ingestão do ingrediente; confira

DRA. BEATRIZ LASSANCE | DRA. MARCELLA GARCEZ | DR. JULIANO BURCKHARDT | DRA. ALINE LAMAITA | DR. MARCELO SADY | LUDMILA BONELLI | HUGO ROBERTO LEWGOY | DR. GUSTAVO SACZK Publicado quarta 15 setembro, 2021

Nosso time de especialistas reuniu dicas, também, para amenizar os malefícios da ingestão do ingrediente; confira
Por que o consumo de doces deve ser evitado de uma vez por todas? - Pexels

Todos os nossos hábitos foram completamente afetados pela pandemia, desde a rotina de trabalho até o sono. Mas talvez o maior impacto tenha sido na alimentação. Seja pelo home office, pelo estresse ou por um mau hábito adquirido, o fato é que o consumo de doces cresceu durante a pandemia.

Segundo um estudo realizado pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) em parceria com a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que entrevistou 44.062 brasileiros entre abril e maio de 2020, quase 2/3 (63%) dos brasileiros consome doce duas vezes ou mais por semana e, no caso das mulheres, cerca da metade come doces em dois dias ou mais na semana, o que representa um aumento de 7% com relação ao período anterior à pandemia.

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“Todos os açúcares não devem compor mais de 10% de todas as calorias ingeridas. O consumo de açúcares adicionados e escondidos é um dos principais equívocos alimentares da dieta ocidental, com inúmeras consequências indesejáveis à saúde. Infelizmente, o consumo médio no Brasil, mesmo antes da pandemia, já era muito superior a isso (10% das calorias diárias)”, explica a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

E as consequências desse consumo excessivo são inúmeras.

Abaixo, um time de especialistas conta 7 danos que o açúcar pode causar no organismo:

Favorece o aparecimento de doenças metabólicas e câncer: O consumo excessivo de açúcar pode levar a doenças metabólicas como obesidade e diabetes, além de agravar os riscos de doenças inflamatórias, degenerativas e até neoplásicas. “As células cancerígenas, assim como todas as outras células do organismo, precisam de fontes de energia para sobreviver. Enquanto algumas células retiram essa energia do oxigênio, outras, como as células neoplásicas, utilizam como fonte de energia a fermentação do açúcar. Dessa forma, o açúcar, mais especificamente a glicose, pode impulsionar o desenvolvimento do câncer, já que alimenta as células cancerígenas, que crescem e se espalham pelo organismo”, ressalta a Dra Marcella. “O açúcar é um vilão ainda maior se o câncer já estiver em desenvolvimento, pois, durante os períodos de rápido crescimento do tumor, as células cancerígenas digerem o açúcar até 200 vezes mais rápido do que as células normais.”

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Prejudica a pele: O excesso de açúcar pode levar ao envelhecimento precoce da pele e ao surgimento de uma série de doenças cutâneas devido a um processo conhecido como glicação. “A glicação é um dos maiores vilões da nossa pele, sendo uma alteração influenciada pelo excesso de açúcar, que age destruindo, endurecendo e mudando a estrutura do colágeno dentro da nossa pele. Essa reação pode aumentar acne, rosácea, estimular oleosidade, piorar o aparecimento de rugas, flacidez, manchas e aumentar as estrias e celulites. É um processo que envolve toda a extensão da pele, favorecendo o aparecimento de alterações tanto no rosto quanto no corpo”, explica Ludmila Bonelli, cosmiatra, especialista em dermatocosmética. E algumas pessoas são mais propensas que outras a sofrer com esse processo. “A genética é capaz de alterar de forma importante a maneira como o organismo combate a glicação. Por exemplo, portadores dos genes AGER e GLO1 estão relacionados a um menor combate do fenômeno de glicação”, afirma o geneticista Dr. Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética.

Causa queda capilar: Além de afetar a pele, o consumo excessivo de açúcar também pode prejudicar a saúde dos cabelos. “Isso porque o aumento de insulina provocado pela ingestão de açúcar faz com que sejam liberados hormônios que inibem a divisão celular da raiz capilar, além de provocar um processo inflamatório que afeta o couro cabeludo, favorecendo o afinamento dos fios e a queda capilar”, ressalta a Dra Marcella Garcez.

Atrapalha os resultados de procedimentos estéticos: Segundo a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o organismo requisita enzimas não habituais para combater a glicose, o que aumenta a produção de radicais livres, causando um estresse oxidativo no organismo que piora ainda mais a glicação das fibras de colágeno, acelerando sua degradação. “E, como a chave dos procedimentos estéticos é o estímulo de colágeno, pacientes com marcadores altos de estresse oxidativo tendem a conquistarem resultados menos expressivos quando submetidos a cirurgias plásticas, além de possuírem mais riscos de sofrerem com problemas de cicatrização e trombose no pós-operatório”, destaca a cirurgiã plástica.

Aumenta a predisposição a problemas circulatórios: O açúcar em excesso pode ser amargo para o coração. O médico cardiologista, geriatra e nutrólogo Dr Juliano Burckhardt, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), explica que o açúcar está relacionado com a obesidade e com a diabetes mellitus, além de ser apontado como grande vilão para o aumento de colesterol. “Com a obesidade e a diabetes cria-se um círculo vicioso no organismo, no qual a obesidade retroalimenta e potencializa os riscos de diabetes e patamares elevados de gordura no sangue, tudo convergindo para uma constante e crescente ameaça à saúde cardiovascular. Além disso, o açúcar pode favorecer o aparecimento de problemas cardiovasculares, causando, por exemplo, o espessamento e o acúmulo de placas de gordura dentro da parede das artérias, com consequente obstrução desses vasos”, explica o Dr. Juliano. “Dependendo da artéria afetada, tal quadro pode levar ainda a incidência de infarto, derrame e problemas de claudicação, que é quando você vai caminhar e tem dificuldade de andar porque falta sangue nas pernas”, diz a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Prejudica a saúde oral: O açúcar é um dos grandes vilões da saúde oral. “Um dos principais problemas nesse sentido é a formação de cáries, que ocorre quando as bactérias da boca metabolizam o açúcar que consumimos, tornando o pH da boca ácido e, consequentemente, provocando a desmineralização do esmalte dos dentes e o aparecimento das cáries. E o pior é que o início dessa ação ocorre poucas horas após a ingestão do açúcar. Além disso, o açúcar também favorece o acúmulo de placa bacteriana que, quando não removida adequadamente, também pode ocasionar gengivite e mau hálito”, alerta o Dr. Hugo Lewgoy, cirurgião-dentista e doutor em Odontologia pela USP.

Interfere na fertilidade: Além de favorecer a obesidade, o que prejudica a qualidade e a quantidade dos espermas e o processo de ovulação, a ingestão de açúcar, por si só, já reduz as chances de um casal engravidar. “O consumo excessivo de açúcar pode levar a um processo inflamatório com consequente risco de estresse oxidativo, o que pode lesar o DNA de células germinativas, aumentar a frequência de mutações prejudiciais e desequilibrar a expressão de genes que atuam na reprodução, assim comprometendo o processo reprodutivo”, afirma o Dr Marcelo Sady.

Logo, o segredo para não prejudicar a saúde é apostar na moderação, reduzindo o consumo de açúcar a, no máximo, uma colher de sopa do ingrediente por dia. O problema é que pode ser muito difícil reduzir de tal forma a ingestão de açúcar, até porque a maioria dos alimentos contêm alguma forma da substância em sua composição.

“Engana-se quem acredita que o açúcar está presente apenas nas guloseimas. Alimentos salgados, massas e aqueles que utilizam farinha branca também possuem açúcar. Além disso, temos o açúcar escondido, que é aquele adicionado a alimentos industrializados, geralmente salgados, que aparentemente não conteriam açúcar. A indústria geralmente adiciona açúcar aos alimentos processados para torná-los mais apetitosos. Quando a gordura é removida de comida processada, por exemplo, o açúcar é adicionado para balancear o sabor. Açúcar demerara, açúcar orgânico, açúcar mascavo, açúcar de coco, mel, dextrina, frutose, glicose, glucose, maltodextrina, oligossacarídeos, sacarose, xarope glucose-frutose, xarope de milho e outros carboidratos simples também são açúcares e o excesso de consumo faz mal!”, reforça a Dra Marcella Garcez

COMO REDUZIR OS DANOS DO AÇÚCAR NO CORPO

Mas a boa notícia é que existem medidas que podem ser tomadas para reduzir os danos causados pelo açúcar. “Por exemplo, existem nutrientes, como fibras, gorduras boas e proteínas, que se forem ingeridos juntos com carboidratos refinados, doces e açúcares, reduzem a velocidade de digestão e absorção do açúcar no sangue, diminuindo o índice glicêmico e fazendo com que os níveis de glicose e insulina circulantes não aumentem tão rápido”, afirma a médica nutróloga.

COMO REDUZIR OS DANOS NA PELE

Já para combater especificamente os danos do açúcar na pele, o mais importante é o uso de dermocosméticos com ação antiglicante. “Nos cremes, temos que procurar ativos antiglicantes que tenham uma permeação profunda na pele, atingindo o colágeno, pois é nas camadas mais profundas que a glicação dessas fibras ocorre. Então é preciso que o cosmético tenha um permeador que consiga chegar no colágeno e fazer essa desglicação”, explica Ludmila Bonelli.


FONTES:

*DRA. BEATRIZ LASSANCE: Cirurgiã Plástica formada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC. Trabalhou no Onze Lieve Vrouwe Gusthuis – Amsterdam -NL e é Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) e da American Society of Plastic Surgery. Além disso, é membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

*DR. JULIANO BURCKHARDT: Médico Cardiologista, Geriatra e Nutrólogo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) e da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Especialista também em Clínica Médica, Medicina de Urgência e Ergometria. É membro da American Heart Association e da International Colleges for Advancement of Nutrology. Mestrando pela Universidade Católica Portuguesa, em Portugal. Atua como docente e palestrante nas suas especialidades na graduação e pós-graduação. É diretor médico do V'naia Institute. Diretor Científico Brasil da European Academy of Personalized Medicine. Membro do Corpo Clínico do Hospital Sírio Libanês.

*DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular, Dra. Aline Lamaita é membro da diretoria (comissão de marketing) da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine, a médica é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000) e hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018). A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. RQE 26557 http://www.alinelamaita.com.br/

*DR. MARCELO SADY: Pós-doutor em genética com foco em genética toxicológica e humana pela UNESP- Botucatu, o Dr. Marcelo Sady possui mais de 20 anos de experiência na área. Speaker, diretor Geral e Consultor Científico da Multigene, empresa especializada em análise genética e exames de genotipagem, o especialista é professor, orientador e palestrante. Autor de diversos artigos e trabalhos científicos publicados em periódicos especializados, o Dr. Marcelo Sady fez parte do Grupo de Pesquisa Toxigenômica e Nutrigenômica da FMB – Botucatu, além de coordenar e ministrar 19 cursos da Multigene nas áreas de genética toxicológica, genômica, biologia molecular, farmacogenômica e nutrigenômica.

*LUDMILA BONELLI: Cosmiatra, especialista em dermatocosmética e diretora científica da Be Belle.

*HUGO ROBERTO LEWGOY: Especialista, Mestre e Doutor pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo; Professor Colaborador do Instituto de Pesquisas Nucleares (IPEN) e do Mestrado Profissional em Biomateriais em Odontologia da Universidade Anhanguera (UNIAN); Pós-graduado em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Instrutor da filosofia individually Training Oral Prophylaxis (iTOP); Pós-graduado em Implantodontia pela Miami University e University of Berna; Membro do International Team of Implantology (ITI); Consultor Científico da Curaden Swiss.

Último acesso: 29 Jan 2022 - 11:28:22 (3275).