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The Last of Us: qual o potencial de dano dos fungos no futuro da humanidade?

Neurologista expõe as diferenças entre o que é verdadeiro e falso na nova série de sucesso, The Last of Us

The Last of Us: qual o potencial de dano dos fungos no futuro da humanidade?
The Last of Us: qual o potencial de dano dos fungos no futuro da humanidade? – Foto: Divulgação/HBO Max

Após dois anos de pandemia na vida real, o tema voltou aos holofotes do público pela nova série lançada no último dia 15 de janeiro. The Last of Us retrata uma pandemia ocasionada pelo fungo Cordyceps, parasita responsável por controlar o sistema nervoso e quase destruir a humanidade no enredo.

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Durante um talk show, o Dr. Neuman (personagem fictício) revela que a sua principal preocupação para o futuro da humanidade seria o potencial danoso que os fungos representam. Em dado momento, ele cita a capacidade parasita dos fungos de adentrar o cérebro humano e assumir o controle, tornando o processo irreversível.

Qual o potencial de dano dos fungos abordados em The Last of Us?

“Precisamos ser cautelosos com qualquer teoria vista em uma série, filme ou jogos eletrônicos. Não há indícios em estudos científicos que seria possível a postulação afirmada no filme: infectar e tomar o controle do sistema nervoso humano”, esclarece Sandro Matas, neurologista na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.

Segundo o especialista, os fungos são de grande utilidade aos humanos, provendo condições de avanços científicos para tratamento de algumas doenças – o primeiro antibiótico foi desenvolvido através do fungo Penicillium por Alexander Fleming na década de 1940 –, além de fornecerem condições do desenvolvimento de estudos de biologia molecular, produção de medicamentos, etc.

Entenda as classes de fungos

Muitas classes de fungos são utilizadas na culinária de diversos países: shimeji, “pasta al fungi”, queijo gorgonzola, strogonoff com champignon, entre outros. No entanto, existem fungos patogênicos que causam doenças em humanos, como o Cryptococcus, Candida, Paracoco, Aspergilus, etc.

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O fungo Cordyceps, descrito na trama, não foi inventado e realmente existe, assim como também possui vários registros dele no Brasil. Neil Druckmann, idealizador da história fictícia, utilizou a espécie como fonte de inspiração para desenvolver um cenário apocalíptico. Ele é utilizado pela medicina chinesa há milhares de anos como tônico e fortificante e ainda não foram descritas infecções em humanos por essa classe de fungos.

O Cordyceps pode ser visto principalmente em florestas tropicais, típicas em diversas regiões do país, contudo, o fungo do tipo parasita infecta apenas insetos como as formigas, se desenvolvendo dentro do hospedeiro e prejudicando funções motoras e nervosas dos insetos ou outros artrópodes (animais com patas articuladas) infectados, não sendo um risco real para homens e mulheres.

Os esporos de Cordyceps levam os insetos a comportamentos erráticos, aparentemente assumindo o controle de suas mentes e funções motoras e, dessa forma, provocam a comparação com os ‘zumbis’ vistos em The Last of Us.

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Existem cerca de um milhão e meio de espécies de fungos no planeta e alguns são benéficos aos seres humanos, inclusive, o próprio Cordyceps. Existem algumas evidências para alguns problemas de saúde, utilizado pela medicina oriental, tais como:

  • Melhora os problemas relacionadas à asma;
  • Tratamento problemas relacionadas a anemia, tosse e cansaço;
  • Redução do mal estar gerado pela quimioterapia;
  • Auxílio e proteção dos rins enquanto é usado medicamentos relacionados a Ciclosporina e Amicacina;
  • Contribuição com o sistema imunológico.

Tais benefícios estão sendo atualmente estudados pela medicina ocidental com análises bioquímicas, estudos em animais de laboratório e em humanos.

“Existem mais de 750 espécies do fungo Cordyceps, ele é amplamente estudado pela comunidade científica, principalmente na medicina chinesa e não representa qualquer risco aos seres humanos. O corpo humano possui anticorpos e sistemas de defesa para evitar uma infecção pelo fungo Cordyceps, não há razão para se preocupar, pelo contrário, os seus benefícios há milhares de anos é observado na medicina oriental, agora avaliada pela medicina contemporânea ocidental”, finaliza Matas.

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