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Dezembro Vermelho: mês da conscientização sobre prevenção e tratamento da HIV/AIDS

Para a Dra. Mariana Rosario, ginecologista, apenas com trabalho intenso junto às mulheres, é que a luta contra a disseminação do HIV ganhará novos rumos

VIVA SAÚDE Publicado terça 1 dezembro, 2020

Para a Dra. Mariana Rosario, ginecologista, apenas com trabalho intenso junto às mulheres, é que a luta contra a disseminação do HIV ganhará novos rumos
Dezembro vermelho - Anna Shvets

Dezembro será um mês muito importante na disseminação de informações sobre a prevenção do contágio pelo HIV e no tratamento da AIDS.

A campanha “Dezembro Vermelho” vem com força à mídia e aos órgãos de saúde, levando à população testes gratuitos de HIV e, também, de sífilis.

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A Dra. Mariana Rosario, ginecologista, obstetra e mastologista, diz que o HIV já não é uma doença que mata como fazia há 20 anos – mas, que nem por isso deve ser menos temida.

"O paciente com HIV continua sendo crônico e com limitações. Ele depende de um coquetel diário de medicamentos, que tem efeitos colaterais variados e, às vezes, bem desagradáveis, e precisa de acompanhamento médico. Além disso, infelizmente, sofre discriminação e pode ter problemas psicológicos e afetivos por causa dessa condição”, diz ela.

A forma mais comum de se adquirir a doença é por meio do contato sexual e do compartilhamento de agulhas no uso de drogas.

Não existem mais casos de transmissão em transfusões de sangue porque os cuidados são rigorosos e o sangue é testado. Também não se corre mais risco em cirurgias e procedimentos médicos. “Evoluímos em muitos aspectos e é bem seguro viver sem se adquirir o HIV. Porém, se não usarmos o preservativo – camisinha masculina ou feminina – continuaremos tendo casos de contaminação”, alerta a médica.

O empoderamento feminino contra a contaminação por HIV

É por isso que a Dra. Mariana Rosario acredita que quanto mais se empoderam as mulheres, de todas as idades, mais se combate a disseminação do vírus HIV. “As mulheres que sabem que são as únicas donas dos seus corpos, que se amam integralmente, que não dependem financeiramente de outras pessoas – principalmente de homens - , que sabem que são cidadãs e que têm direitos, que têm acesso à educação e à saúde conseguem levar uma vida digna e, assim, podem exigir o uso do preservativo de seus companheiros. Apenas empoderando meninas e mulheres e que conseguiremos fazer valer o ‘não é não’ e a vontade feminina”, alerta a médica.

Por meio da educação e do esclarecimento, Dra. Mariana Rosario acredita que as mulheres conseguirão ajudar também os homens a entenderem que eles ficam tão doentes quanto quaisquer outras pessoas. “Quando as mulheres são esclarecidas, elas educam homens mais coerentes e menos machistas. Assim, empoderando as mulheres, teremos homens cientes do papel deles e que também terão o desejo de se prevenirem para não ficarem doentes. É um trabalho educacional diário, constante, que não podemos deixar de fazer”, alerta a médica.

Sífilis

A campanha Dezembro Vermelho também abordará o aumento da disseminação da sífilis. Diferentemente da AIDS, a sífilis tem cura – mas, se não tratada, pode ser muito perigosa: em estágio avançado, a doença leva a sérios problemas neurológicos. E, quando uma mulher engravida com a doença, causa doenças no bebê que serão levados para toda a vida.

O tratamento da sífilis é simples. Mas, mais uma vez, essa é uma infecção sexualmente transmissível (IST), que pode ter contágio evitado com uso da camisinha”, alerta a Dra. Mariana.

Para finalizar, a médica dá um recado: “É preciso que mulheres e homens entendam que vivemos em tempos em que, se desejarmos manter nossas saúdes, precisamos nos cuidar cada dia mais. É preciso usar máscara para sairmos às ruas, é preciso usar camisinha em todas as relações sexuais. São hábitos que devemos criar e aos quais rapidamente nos acostumaremos, mas dos quais pode depender nossas vidas”.

Último acesso: 25 Jan 2021 - 20:47:42 (963).