Exame de sangue inovador promete revolucionar o diagnóstico precoce de câncer de pâncreas
Novo exame de sangue promete detectar câncer de pâncreas precocemente, ampliando as opções de tratamento e as chances de sobrevivência

Novo exame de sangue promete detectar câncer de pâncreas precocemente, ampliando as opções de tratamento e as chances de sobrevivência
O câncer de pâncreas é um dos mais agressivos e fatais no Brasil, figurando em sétimo lugar entre os tipos mais letais, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O principal obstáculo ao tratamento eficaz é o diagnóstico tardio, o que reduz as opções terapêuticas e limita as chances de cura. No entanto, um novo exame de sangue promete mudar esse cenário, detectando precocemente o câncer e aumentando as opções de tratamento.
Pesquisadores desenvolveram o exame PAC-MANN, que usa uma amostra mínima de sangue para identificar alterações nas proteases, enzimas ativadas no câncer pancreático. O teste foi publicado em fevereiro de 2024 no periódico Science Translational Medicine.
“O câncer de pâncreas é extremamente agressivo e, muitas vezes, só é identificado em estágios avançados, quando as opções de tratamento são limitadas”, afirma o Dr. Ramon Andrade de Mello, oncologista e pesquisador honorário da Universidade de Oxford. Ele detalha que, no caso do PDAC, “os testes tradicionais, como o marcador tumoral CA 19-9, não são sensíveis o suficiente para detectar a doença precocemente, embora sejam bons para indicar o prognóstico”.
A pesquisa foi baseada em amostras de sangue de 350 pacientes com câncer de pâncreas, com fatores de risco para a doença ou com problemas pancreáticos não cancerosos. O exame demonstrou 98% de precisão ao distinguir pacientes saudáveis de indivíduos com câncer de pâncreas. Além disso, quando combinado ao CA 19-9, o PAC-MANN detectou a doença com 85% de precisão.
Esse exame é fundamental para indivíduos com fatores de risco, como obesidade, tabagismo e histórico de pancreatite crônica. Ele é menos invasivo do que métodos como ultrassonografia endoscópica e pode ser feito com mais frequência. “O rastreamento regular é crucial para pacientes com risco elevado, pois o câncer de pâncreas raramente apresenta sintomas precoces”, explica o Dr. Ramon.
O diagnóstico precoce muda completamente a abordagem terapêutica. Quando detectado em estágios iniciais e em casos operáveis, a cirurgia pode ser realizada, proporcionando melhores chances de cura. “Se a doença for operável, a cirurgia pode melhorar o prognóstico do paciente”, esclarece o Dr. Ramon. Em estágios mais avançados, a quimioterapia, seguida ou não de cirurgia, pode ser indicada, embora a sobrevida no caso de metástase seja limitada a 6 a 11 meses, dependendo do tratamento.
Além de facilitar a detecção precoce, o PAC-MANN é útil para monitorar a eficácia do tratamento. “Após a cirurgia, a atividade das proteases diminui, indicando a eficácia do tratamento”, aponta o Dr. Ramon. Esse monitoramento contínuo permite ajustes no tratamento, potencializando os resultados terapêuticos.
O PAC-MANN apresenta uma grande vantagem: sua acessibilidade. O exame exige apenas 0,008 mililitros de sangue e pode ser realizado em 45 minutos, com um custo inferior a um centavo por amostra. No entanto, mais testes são necessários antes que o exame se torne amplamente disponível. “Se validado em futuras pesquisas, o PAC-MANN pode se tornar uma ferramenta essencial no diagnóstico e tratamento do câncer de pâncreas”, conclui o Dr. Ramon.
O exame PAC-MANN oferece uma nova esperança para os pacientes com câncer de pâncreas. Ao permitir a detecção precoce da doença e acompanhar a eficácia dos tratamentos, ele aumenta as chances de sobrevivência e oferece opções terapêuticas mais eficazes. Este avanço promete ser um marco importante no combate ao câncer pancreático, melhorando o prognóstico de milhares de pacientes.