Cada vez mais, famosos que têm o Transtorno do Espectro Autista (TEA) falam abertamente sobre o assunto, que passou a ser destaque nas mídias e as redes sociais. Atualmente, são comuns relatos de celebridades que afirmam que são autistas, entre elas, o empresário Elon Musk, o músico Kanye West e o apresentador Danilo Gentili.
Famosos que são autistas
O ator Anthony Hopkins, vencedor do Oscar de Melhor Ator no filme “O Silêncio dos Inocentes”, contou que recebeu o diagnóstico na vida adulta, por volta dos 70 anos. Ele lembra que sempre teve dificuldades de se encaixar em algum grupo. Por isso, foi um adolescente muito solitário.
Recentemente, Elon Musk falou abertamente que tem TEA, em grau leve, se referindo ao transtorno como Síndrome de Asperger. “Muitas vezes após eu dizer alguma coisa, eu tenho que dizer que eu estou falando sério para que as pessoas realmente entendam que eu estou falando sério”, disse em entrevistas.
Em entrevista a um podcast, Kanye West abordou o tema explicando que buscou ajuda médica. Segundo o cantor, sua esposa, Bianca Censori foi quem acendeu o alerta. Ela disse: “Algo na sua personalidade não parece ser bipolar, eu já vi casos de bipolaridade antes”. Quando procurou médicos, veio o diagnóstico. West frisou que passou a entender melhor seu próprio comportamento após saber que tinha TEA: “A constante sensação de não estar no controle me faz perder o controle.”
Conhecida por sucessos musicais como “Chandelier” e “Elastic Heart”, a cantora Sia também falou publicamente sobre o assunto. No programa “Rob Has a Podcast” ela desabafou sobre sua jornada, destacando as lutas e os triunfos que enfrentou.“Nos sentimos vistos pela primeira vez em nossas vidas por quem realmente somos.”
O apresentador brasileiro Danilo Gentili contou em entrevista que recebeu o diagnóstico quando já tinha mais de 40 anos de idade. “Se eu estou focado em uma coisa e alguém me fala ‘faz aquilo’, me dá uma irritação por dentro. É pesado tentar ter a vida social. Tenho algumas características, mas não quis me aprofundar.”
Diagnóstico tardio
No dia 2 de abril, quando o mundo se ilumina de azul em referência ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo. No entanto, uma parte essencial dessa história continua na escuridão: os adultos, que cresceram sem nenhum apoio. Somente hoje, eles passaram a entender comportamentos e características que acharam ser ‘da personalidade’. Assim, vivem anos de sofrimento desnecessário. Muitos passam décadas lutando contra desafios inexplicáveis, enfrentando incompreensão, isolamento e, muitas vezes, diagnósticos equivocados.
Um estudo recente publicado na revista Psychiatry Research revela dados chocantes: mais de 13 mil suicídios entre pessoas autistas foram registrados apenas em 2021. “Esses números não são apenas estatísticas, são vidas interrompidas, famílias devastadas e um grito de socorro que nossa sociedade tem sistematicamente ignorado. É crucial entender que o suicídio em pessoas com TEA muitas vezes está ligado à dificuldade em lidar com o estresse, à discriminação e à falta de acesso a serviços de saúde mental adequados”, alerta o Dr. Matheus Trilico, neurologista e referência nacional em TEA.
“Estamos diante de uma crise humanitária silenciosa, uma emergência de saúde pública negligenciada por tempo demais. Adultos com autismo não apenas lutam contra a invisibilidade social, mas também contra um risco de morte prematura que não podemos mais ignorar”, diz o especialista.