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Atenção com os pequenos! Neurologista infantil afirma que crianças e adolescentes sofrem de cefaleia como os adultos

Confira quais causas podem estar atreladas ao desconfortos das crianças e dos jovens

VIVA SAÚDE Publicado terça 8 setembro, 2020

Confira quais causas podem estar atreladas ao desconfortos das crianças e dos jovens
Crianças e adolescentes podem ter tanta dor de cabeça quanto adultos; é preciso se atentar a isso! - Freepik

Dentre todos os sintomas comuns que crianças e adolescentes podem enfrentar, a cefaleia é uma das queixas mais frequentes.

Geralmente pouco valorizada por famílias, a dor acomete, ao menos uma vez na vida, 85% das crianças entre 5 e 12 anos -- é o que explica a Dra. Gladys Arnez, Médica Pediatra e Neurologista Infantil, responsável pela Neurocenterkids em SP.

“As pessoas falam que as crianças fazem manha; que a criança só tem dor de cabeça na hora que vão comer, na hora que vão para escola ou na hora de fazer lição. Minha dica é: sempre acredite no seu filho, leve ao médico, investigue”, orienta a especialista.

CAUSAS, SINTOMAS E TRATAMENTO

Vários fatores podem causar Cefaleia, e entre eles: o estresse, a ansiedade e a depressão são alguns deles, por exemplo.

O tratamento é feito com medicamentos sintomáticos ou de manutenção.

A Cefaleia pode aparecer como uma simples dor de cabeça, sem apresentar nenhum sinal adicional, mas também pode aparecer com sintomas como sensibilidade à claridade e aos odores, náuseas, sendo caracterizada com uma enxaqueca.

Dra. Gladys Arnez explica que existem as cefaleias primarias e as secundárias:

“As secundárias são por quadros infecciosos, como por exemplo uma amigdalite, sinusite, que nem sempre está acompanhada de febre. É somente a congestão da face que causa a dor de cabeça, pode ser uma meningite ou algum outro quadro infeccioso... Como pode, também, resultar, como sintoma secundário de algum trauma, de alguma queda, por exemplo", explica a médica

“Já a Cefaleia primária são aquelas que não têm uma causa bem definida. A mais comum é a Cefaleia de tipo tensional, que são mais leves, seguidas pela enxaqueca. Essas Cefaleias geralmente têm uma influência genética e por isso é importante que você dê atenção às reclamações dos seu filho. Leve-o ao médico para uma avaliação profissional e busque o tratamento adequado. É preciso entender que as queixas são um sinal de alerta e precisam ser investigadas”, garante a Dra Gladys.

Apesar de ter os mesmos tipos de cefaleia que os adultos, as crianças e adolescentes têm queixas diferentes, principalmente as crianças mais novas. E a Cefaleia pode aparecer na forma crônica nas crianças, prejudicando a rotina de suas vidas.

Um estudo abrangendo o Canadá e os EUA mostrou que 62% das crianças que tiveram tumores cerebrais reclamavam de dores de cabeça. Ainda foi observado que apenas 1% dessas crianças apresentavam Cefaleia como sintoma isolado, e 3% no momento do diagnóstico o exame neurológico foi apresentado como normal.

COMO AVALIAR A DOR DE CABEÇA DE UMA CRIANÇA?

Para saber qual a intensidade da dor de cabeça da criança, uma dica é observar se ela produz algum impacto na rotina. “Os bebês e as crianças menores ainda não saberão descrever se o incômodo está fraco ou forte. Por isso, é importante notar se eles param de brincar quando reclamam da dor. Caso interrompam a atividade, procure o pediatra”, sugere a especialista.

Após descobrir o que causa a dor, fica mais fácil tratá-la. Mas não se preocupe: há medicamentos que podem aliviar o incômodo de imediato. 

“Nos casos em que a dor é em peso ou aperto (como se estivesse com um capacete justo) com duração de 30 minutos a 72 horas contínuas, com frequência mensal e intensidade leve ou moderada, a indicação é apenas de tratamento da crise, sem a necessidade de medicamentos preventivos. Os analgésicos, como dipirona e paracetamol, podem ser usados, desde que com frequência moderada. E claro: não cabe a você escolher o remédio. Pergunte antes ao especialista qual medicamento pode ser usado no momento da dor".

 

CAUSAS MAIS COMUNS EM CRIANÇAS

1 - Pular Refeições

Longos intervalos fazem o índice glicêmico diminuir e como o cérebro precisa do oxigênio e da glicose, o metabolismo fica alterado e a dor surge.

Nesse caso, basta comer corretamente para que a dor pare. Ter uma rotina definida, com pequenas porções saudáveis de alimento a cada 3 horas, é a melhor forma de prevenção.

2 - Dormir Pouco

É importante que seu filho também tenha rotina para dormir e acordar porque a fadiga cerebral também ocasiona dores de cabeça, assim como nos adultos.

3 - Problemas De Visão

Se o seu filho se queixa de dor de cabeça, ele pode, mesmo sem saber, estar com dificuldade para enxergar. Os músculos que movimentam os olhos estão no osso da cabeça – se são muito exigidos, podem desencadear o desconforto. É preciso consultar um oftalmologista.

4 - Ranger Os Dentes

Problemas na articulação da mandíbula, como o bruxismo, podem fazer com que a criança tenha dor de cabeça. Em geral, é um tipo de desconforto que aparece pela manhã, já que ela contraiu a região durante o sono. O tratamento será com o dentista – o uso de uma placa que não deixa que os dentes se batam é a solução mais adotada.

 

Para concluir: ficar sempre atento ao comportamento do seu filho, de modo que consiga relatar exatamente como é a dor do seu filho, que horas ela aparece e suas características, é a melhor maneira de conseguir relatá-la ao médico para obter o melhor diagnóstico e tratamento.


Dra. Gladys Arnez é médica Pediatra e Neurologista Infantil e da Adolescência, especialista em Transtornos Escolares e Comportamentais, mestranda em Neurociências com ênfase no Tratamento do autismo e está à frente da Clínica Neurocenterkids, em São Paulo.

Último acesso: 23 Sep 2021 - 11:04:27 (286).