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Obesidade, diabetes e hipertensão aumentam gravidade de casos da COVID-19, mas podem ser prevenidas

Time de especialistas deu dicas sobre como evitar o surgimento de doenças crônicas que são um fator de risco para complicações causadas pela COVID-19.

CONTRIBUIÇÃO DE DRA. ALINE LAMAITA | DRA. BEATRIZ LASSANCE | DRA. ELOISA PINHO | DR. JULIANO BURCKHARDT | DRA. MARCELLA GARCEZ Publicado quarta 2 junho, 2021

Time de especialistas deu dicas sobre como evitar o surgimento de doenças crônicas que são um fator de risco para complicações causadas pela COVID-19.
Profissionais da saúde esclarecem como algumas comorbidades podem ser evitadas - Freepik

A relação entre doenças como obesidade, hipertensão e diabetes e o aumento da gravidade de casos da COVID-19 já está bem estabelecida e comprovada por uma série de estudos. “Pessoas obesas, hipertensas e diabéticas têm maior risco de sofrer com complicações causadas pelo Coronavírus. E sabemos que essas condições, em muitos casos, estão relacionadas. Por exemplo, o crescimento da obesidade também pode colaborar para o aumento da prevalência de diabetes e hipertensão”, explica a Dra. Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU Saúde.

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Felizmente, pacientes com esses problemas crônicos de saúde foram priorizados nas campanhas de vacinação. No entanto, pessoas que não foram vacinadas ainda podem desenvolver tais comorbidades e, consequentemente, sofrer com sérias complicações caso sejam infectadas pelo Coronavírus. E não sabemos quanto tempo ainda vai demorar para desenvolvermos a tão sonhada imunidade de rebanho. Por isso, o melhor é apostar na prevenção dessas doenças, não apenas para evitar a ocorrência de casos graves de COVID-19, mas também para melhorar a saúde e a qualidade de vida de forma geral. E isso pode ser feito através da adoção de cuidados simples que listamos abaixo.

Confira:

1) Evite consumir açúcar em excesso

Fuja principalmente do açúcar refinado, mas também do mascavo, do mel, do açúcar demerara, da alfarroba, do açúcar de coco e outros carboidratos simples, além de todas as farinhas brancas e refinadas.

“O consumo abusivo de açúcares aumenta o perfil inflamatório e também o risco e prevalência de doenças como diabetes e obesidade, que contribuem para o agravamento dos sintomas da Covid-19”, afirma a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). “Esses carboidratos com alto índice glicêmico também provocam um aumento instantâneo de radicais livres, que podem alterar proteínas, lipídeos e até mesmo o DNA. É sabido que pacientes sedentários ou obesos possuem marcadores de estresse oxidativo muito maiores que pacientes magros e ativos fisicamente. Isso explica a maior incidência de câncer, doenças cardiovasculares, infarto e hipertensão. De forma geral, com um excesso de açúcar circulante, as respostas imunes também são piores, os riscos de infecção por micro-organismos são maiores e o processo de recuperação é mais lento”, alerta a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e do American College of LifeStyle Medicine.

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2) Cuidado também com o consumo de sal

O uso excessivo de cloreto de sódio é o principal fator alimentar para a hipertensão arterial, comorbidade também relacionada aos riscos de piora quando há infecção pelo coronavírus. “O excesso de sódio é um vilão porque ele vai contribuir com o aumento de pressão arterial, que é um fator de risco para a doença aterosclerótica e problemas circulatórios, além de piorar a retenção hídrica”, explica a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. E o sódio não está presente apenas em alimentos salgados, mas também em doces e sucos, uma vez que é utilizado para realçar o sabor. “Geralmente quando alimentos não levam açúcar e sim adoçante, a indústria alimentícia acrescenta sódio para mascarar aquele sabor desagradável do adoçante. Você pode reparar que todo produto que é light, diet, zero tem mais sódio do que as versões regulares”, completa a médica.

Evite alimentos altamente processados

Alimentos altamente processados são os principais contribuintes para a obesidade, diabetes e epidemias de hipertensão. “Existem várias definições, mas o que caracterizamos como alimentos processados são aqueles produtos industrializados, geralmente ricos em açúcares adicionados (como xarope de milho com alto teor de frutose), grãos refinados (por exemplo, farinha branca ou arroz branco) ou ingredientes químicos que realçam o sabor a fim de torná-los hiperpalatáveis. Esses produtos geralmente contêm muitos ingredientes que você não reconheceria como alimentos, como conservantes e outros produtos químicos. Cuidado inclusive com produtos ‘fit’, ‘light’, ‘zero’ e ‘diet’, que podem ter menos calorias, mas um maior teor de produtos químicos adicionados”, explica o médico nutrólogo e cardiologista Dr. Juliano Burckhardt, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Nesse sentido, uma dica importante é minimizar ou eliminar alimentos altamente processados, carnes processadas e alimentos fritos. “Embora fazer pequenas mudanças ao longo do tempo seja uma estratégia eficaz para resultados duradouros, eliminar alimentos processados por um período de tempo (de uma semana a um mês) pode ajudar a redefinir suas papilas gustativas e colocá-lo no caminho mais rápido”, explica o médico.

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3) Inclua uma atividade física na sua rotina

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150 minutos de algum tipo de atividade física leve ou moderada por semana. “Isso significa pelo menos 30 minutos de algum exercício por cinco dias. Faça alongamento, abdominais, dance ou busque treinos funcionais online. Manter-se ativo traz benefícios na melhora da disposição, humor, perda de peso e saúde cardiovascular”, diz a Dra. Eloisa Pinho. “É importante ressaltar que a obesidade por si só gera alteração imunológica que predispõe à baixa imunidade e pior recuperação de patologias como o Coronavírus. Ao mesmo tempo, o exercício físico tem a capacidade de aumentar nossa resposta antioxidante e imunológica”, completa.

4) Pare de fumar

Cada vez que você inala a fumaça do cigarro, sua frequência cardíaca e sua pressão arterial aumentam temporariamente. “Com o tempo, as substâncias tóxicas do cigarro obstruem suas artérias, aumentam a coagulação, danificam seus pulmões, enfraquecem seus ossos e sistema imunológico, além de aumentar a inflamação”, alerta o Dr Juliano Burckhardt. Por isso, parar de fumar é indispensável para a manutenção da saúde. “Apenas 20 minutos depois de parar, sua pressão arterial e frequência cardíaca diminuem. Em 2 a 3 semanas, seu fluxo sanguíneo começa a melhorar. Depois de um ano sem cigarros, você tem metade da probabilidade de sofrer com alguma doença cardíaca do que quando fumava. Depois de 5 anos, o risco é quase o mesmo do que alguém que nunca acendeu um cigarro”, afirma o médico.

5) Evite o consumo excessivo de bebidas alcoólicas

A ingestão abusiva de bebidas alcoólicas é um dos grandes problemas desses tempos de pandemia. “Isso porque o álcool agrava as condições de saúde, sobrecarregando fígado e pâncreas, além de piorar o perfil inflamatório do organismo e as respostas imunológicas”, diz a Dra Marcella Garcez. Por favorecer a desidratação, o álcool, além de aumentar a incidência de câimbras e dores musculares, ainda pode fazer com que o organismo retenha mais líquidos. “Como resultado, ficamos mais edemaciados e a pressão vascular pode aumentar, o que contribui para o surgimento de problemas como varizes e trombose”, afirma a cirurgiã vascular e angiologista Dra. Aline Lamaita.

6) Monte um prato colorido, saudável e saboroso

Adote uma alimentação balanceada rica em frutas, verduras e legumes. “Nesse momento, o ideal é apostar nos alimentos in natura e em preparações preferencialmente caseiras, priorizando as proteínas de alto valor biológico (carnes, ovos e leguminosas), os ácidos graxos ômega-3 (peixes de água fria e sementes oleaginosas), vitamina C (frutas cítricas e vegetais verde escuro), polifenóis (vegetais pigmentados e frutas de coloração avermelhada) e carotenoides (vegetais amarelos, alaranjados e vermelhos como abóbora, cenoura e tomate)”, aconselha a Dra Marcella. Mas tenha certeza também de comer o que te dá prazer. “Se você não gostar de comer, dificilmente vai conseguir aderir a mudanças de hábitos. Então, encontre um estilo de alimentação saudável que você adore e que corresponda ao que você goste. Existem muitas opções saborosas e saudáveis demais para se contentar com alimentos que você não gosta”, diz o Dr Juliano Burckhardt.

Mas é claro que, caso você já sofra com qualquer um desses problemas crônicos de saúde, o mais importante é buscar um médico para receber diagnóstico e tratamento adequado, o que deve ser feito com ainda mais urgência caso você comece a apresentar sintomas comuns da COVID-19 ou tenha contato com uma pessoa diagnosticada com a doença.


FONTES:

*DRA. BEATRIZ LASSANCE: Cirurgiã Plástica formada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC. Trabalhou no Onze Lieve Vrouwe Gusthuis – Amsterdam -NL e é Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) e da American Society of Plastic Surgery. Além disso, é membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

*DR. JULIANO BURCKHARDT: Médico Nutrólogo e Cardiologista, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). É membro da American Heart Association e da International Colleges for Advancement of Nutrology. Mestrando pela Universidade Católica Portuguesa, em Portugal, atuou e atua como docente e palestrante nas suas especialidades na graduação e pós-graduação. O médico tem certificação Internacional pela Harvard Medical School, para tratamento da Obesidade. É diretor médico do V'naia Institute.

*DRA. ELOISA PINHO: Ginecologista e obstetra, Pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela CETRUS. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, a médica é formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão, além de também fazer parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.

*DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular, Dra. Aline Lamaita é membro da diretoria (comissão de marketing) da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine, a médica é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000) e hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018). A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. RQE 26557 http://www.alinelamaita.com.br/

Último acesso: 13 Jun 2021 - 13:19:29 (2517).