Testeira
  covid-19   / CUIDADOS DO INVERNO

Maskin: entenda como as máscaras de proteção afetam a pele e influenciam o mundo da beleza

Indispensáveis para prevenção do Coronavírus, as máscaras de proteção são uma faca de dois gumes para o setor da beleza, já que, enquanto por um lado estimulam procedimentos em toda a face, por outro podem contribuir com ressecamento, irritação e descamação da pele

DR. DANIEL CASSIANO / DRA. LETÍCIA BORTOLINI / DRA. PAOLA POMERANTZEFF / DR. PAOLO RUBEZ / DRA. ALINE LAMAITA Publicado sexta 9 julho, 2021

Indispensáveis para prevenção do Coronavírus, as máscaras de proteção são uma faca de dois gumes para o setor da beleza, já que, enquanto por um lado estimulam procedimentos em toda a face, por outro podem contribuir com ressecamento, irritação e descamação da pele
Principalmente no inverno, saiba como cuidar do rosto para não sofrer com o uso constante de máscaras de proteção - Freepik

Mesmo com as campanhas de vacinação a todo vapor, não devemos descuidar das medidas para prevenir a transmissão e contágio do Coronavírus, como higienizar frequentemente as mãos, manter o distanciamento social e, principalmente utilizar máscaras de proteção. O problema é que a nossa pele pode sentir os efeitos do uso da máscara, principalmente agora com a chegada de inverno, o que vem sendo chamado de Maskin. “A utilização constante das máscaras de proteção desencadeia uma alteração fisiológica da pele, produzindo a nível cutâneo o que denominamos de dermatite de contato. E como estamos em uma estação mais fria, essa combinação tende a deixar a nossa pele mais irritada, seca e inflamada”, explica a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Em casos de usos mais constantes, a máscara ainda pode causar desidratação, vermelhidão, descamação, infeções secundárias, maceração na pele e o agravamento de algumas doenças pré-existentes, como a dermatite atópica, rosácea, psoríase e, principalmente, a acne. “Temos observado nos consultórios um grande aumento de casos de acne na região das máscaras. Isso ocorre porque esses equipamentos abafam a pele, aumentam a produção de suor no local e contribuem para obstrução dos poros, o que, somado a má higienização e a falta de troca frequente das máscaras, favorece o surgimento de espinhas e cravos”, afirma a Dra. Letícia Bortolini, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

E até mesmo a pele dos lábios é afetada pelo uso das máscaras. “Os lábios são uma das partes mais sensíveis do corpo, contando com apenas de três a cinco camadas de células. Para termos uma ideia, a pele do rosto pode chegar a ter 16 camadas de células. Logo, por ser mais delicada, a pele dos lábios sofre mais com os efeitos do microclima criado pelo uso das máscaras. Como resultado, essa região pode ficar ressecada com mais facilidade e até rachar ou descamar com mais frequência”, destaca a Dra. Paola Pomerantzeff.

Combate aos danos

É claro que deixar de usar máscaras não é, de maneira alguma, uma opção para parar de sofrer com os efeitos do equipamento na pele. Mas existem alguns cuidados que podem ser adotados para manter a pele saudável. “A principal medida que devemos adotar para não prejudicar a pele é trocar frequentemente as máscaras ou, no caso dos equipamentos de tecido, higienizá-las diariamente, o que ajuda a evitar o acúmulo de bactérias na região e prevenir os danos à pele”, aconselha a Dra. Letícia Bortolini.

A adoção de uma rotina diária de cuidados com a pele também é uma medida fundamental para combater os danos causados pela máscara no tecido cutâneo. “Comece a rotina skincare pela higienização, que deve ser feita com sabonetes específicos para o seu tipo de pele. Mas o ideal nesse momento é investir no uso de produtos mais suaves e evitar fazer uma fricção acentuada enquanto higieniza a pele para não causar agressões ao tecido”, explica a Dra Paola Pomerantzeff. 

Em seguida, complemente a etapa da limpeza com a hidratação da pele. “Para a hidratação, o ideal é buscar produtos à base de Fosfolipídeos, que formam uma segunda camada de proteção e protegem a pele de forma mais efetiva contra a perda de água por evaporação”, recomenda a Dra Paola. Por fim, finalize com a aplicação de um fotoprotetor, que deve possuir FPS 30, no mínimo, e amplo espectro de proteção solar. “Mas não aplique maquiagem ou fotoprotetores com cor na região que será coberta pela máscara, pois esses produtos podem obstruir os poros e aumentar a inflamação das glândulas sebáceas, o que, associado ao abafamento e aumento da sudorese, aumenta a possibilidade de formação de cravos e espinhas”, alerta a Dra. Letícia.

Além da pele, os lábios também necessitam de cuidados específicos. “O primeiro passo é esfoliar de forma suave e com produtos específicos para remover as células mortas Essa esfoliação labial não deve ser diária, podendo ser feita a cada 15 dias”, aconselha a Dra Paola. A esfoliação deve ser imediatamente seguida da hidratação. “A hidratação dos lábios deve ser realizada diariamente com o auxílio de hidratantes labiais que possuam uma formulação rica em ativos como o D-Pantenol e as Ceramidas”, aconselha o Dr. Daniel Cassiano, dermatologista da Clínica GRU Saúde e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). 

O lado bom das máscara

 É claro que as máscaras também têm seus benefícios! Além de, obviamente, prevenirem o contágio e a transmissão do vírus SARS-Cov-2, as máscaras também tiveram um impacto muito positivo no mundo da beleza, estimulando, por exemplo, a realização de procedimentos cirúrgicos na região do nariz e queixo por ajudarem a esconder o inchaço que surge no período pós-operatório. “O inchaço perceptível não dura muito mais que um mês após a cirurgia, pois vai desaparecendo gradativamente. Ainda assim, o uso de máscaras é benéfico para procedimentos nessas regiões, já que o equipamento esconderá o edema”, diz o cirurgião plástico Dr. Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Entre os procedimentos que se beneficiam do uso das máscaras, uma excelente opção é o protocolo conhecido como Surgical Profile Definition 3D, que une a rinoplastia (cirurgia do nariz), a mentoplastia de avanço (aumento do queixo) e a lipoescultura (preenchimento com gordura e lipoaspiração de papada) para redefinir o perfil e a harmonia facial. “Muitas pessoas acreditam que possuem o nariz grande demais, mas é necessário também, além da rinoplastia, projetar mais o queixo. Isso ocorre porque o tamanho do queixo pode aumentar ou diminuir a percepção do tamanho do nariz. Nesses casos, apenas a realização da rinoplastia ou da mentoplastia não é o suficiente para deixar o paciente satisfeito com sua face, sendo necessário combiná-las. E, para ter efeito também na harmonia facial, o Surgical Profile Definition 3D conta com a lipoescultura, um procedimento que usa gordura do próprio corpo para dar volume nas áreas deficitárias, melhorar a qualidade da pele e lipoaspirar a gordura na papada”, destaca o médico.

Outra tendência que tem ganhado cada vez mais espaço dentro dos consultórios médicos devido ao uso das máscaras de proteção é a realização de procedimentos na parte superior da face, principalmente focando na valorização do olhar, já que, com metade do nosso rosto tampado, os olhos ganharam mais atenção, afinal é através dele que passamos a demonstrar mais facilmente nossas emoções. 


FONTES:

*DR. DANIEL CASSIANO: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Cofundador da clínica GRU Saúde, o Dr. Daniel Cassiano é formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Doutorando em medicina translacional também pela UNIFESP. Professor de Dermatologia do curso de medicina da Universidade São Camilo, o Dr. Daniel possui amplo conhecimento científico, atuando nas áreas de dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica.

*DRA. LETÍCIA BORTOLINI: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. À frente da clínica Enlapy, em Cuiabá, a médica é formada em Medicina pela Universidade de Cuiabá, com especialização em Dermatologia pela Fundação Souza Marques (São Paulo/SP) e em Clínica Médica pelo Hospital Guilherme Álvaro (Santos/SP).

*DRA. PAOLA POMERANTZEFF: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais. http://www.drapaola.me/

*DR. PAOLO RUBEZ: Cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), Dr. Paolo Rubez é Mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP. O médico é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com o Dr Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade, e pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. http://drpaolorubez.com.br/

*DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular, Dra. Aline Lamaita é membro da diretoria (comissão de marketing) da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine, a médica é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000) e hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018). A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. RQE 26557 http://www.alinelamaita.com.br/

Último acesso: 19 Sep 2021 - 04:38:12 (2841).