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Acidentes vasculares causados por vacina de Oxford são raros e não devem ser motivo de preocupação

Além do número de casos ser pequeno em comparação à população já vacinada, relação entre a vacina de Oxford e fenômenos tromboembólicos não está comprovada, assim não havendo motivos para que os brasileiros deixem de se imunizar

CONTRIBUIÇÃO DRA. ALINE LAMAITA Publicado quarta 14 abril, 2021

Além do número de casos ser pequeno em comparação à população já vacinada, relação entre a vacina de Oxford e fenômenos tromboembólicos não está comprovada, assim não havendo motivos para que os brasileiros deixem de se imunizar
Vacina de Oxford para a prevenção do Coronavírus - FREEPIK

As campanhas de vacinação contra o Coronavírus já estão a todo vapor em diversos países ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Mas, ainda assim, novas vacinas, e até mesmo aquelas que já foram aprovadas, continuam a ser pesquisadas para garantir sua segurança em grupos ainda não estudados e entender a ação dos imunizantes em diferentes organismos.

Não é à toa que todos os dias novas publicações sobre os efeitos de diferentes vacinas são veiculadas. Por exemplo, na última quarta-feira (07/04), a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) publicou um relatório apontando acidentes vasculares, principalmente tromboses, como um possível efeito colateral da vacina de Oxford.

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A informação, é claro, pode causar certa preocupação, principalmente em quem já possui predisposição ao problema, mas, de acordo com a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, não existem motivos para que deixemos de tomar a vacina. “Antes de qualquer coisa, é importante ressaltar que, apesar da Vacina de Oxford estar sendo aplicada no Brasil, os brasileiros não devem parar de buscar a imunização, pois, em comparação ao número de pessoas já vacinadas especificamente com esse imunizante, os acidentes vasculares são raros”, destaca a especialista.

Segundo a médica, ao que tudo indica, os poucos casos relatados de acidentes vasculares devido à vacina da Oxford tratam-se de uma reação imunológica que provoca uma redução nos níveis plaquetários, favorecendo assim a formação de coágulos sanguíneos que podem prejudicar a circulação e causar entupimento das veias. Mas mais estudos ainda são necessários para comprovar essa hipótese.

“E, ainda que comprovada a relação entre a Vacina e a formação de trombos, os benefícios da imunização contra o Coronavírus superam muito qualquer pequeno risco de reações adversas, afinal, a COVID-19 é uma doença de fácil transmissão e de alta fatalidade que, inclusive, está relacionada ao surgimento de trombose, visto que o agente patógeno causador da doença desencadeia um processo incomum de coagulação, favorecendo a formação de coágulos nas veias e, consequentemente, aumentando a incidência de quadros de trombose. Além disso, o Coronavírus também favorece o surgimento de trombose nos pequenos vasos, causando uma inflamação na parede das artérias e dos vasos”, afirma.

A Dra Aline Lamaita ainda ressalta que, na verdade, o risco de trombose quando estamos parados em casa, como nesse período de pandemia, é muito maior do que devido a aplicação da Vacina de Oxford. Isso porque o sedentarismo é um dos principais fatores de risco para o surgimento da doença, visto que pode dificultar a circulação sanguínea. “Estudos mostram, por exemplo, que o hábito de assistir muita televisão está associado ao surgimento de coágulos sanguíneos, pois permanecer longos períodos sentado pode diminuir o fluxo de sangue para as pernas e pés”, explica a médica.

Outros fatores como o tabagismo, a obesidade e histórico familiar também são agravantes pata o surgimento da doença. Felizmente, algumas medidas que visam melhorar a circulação podem ajudar na prevenção do quadro de trombose, principalmente no período de quarentena. “O recomendado então é que você pare de fumar, consuma bastante água, adote uma alimentação balanceada, realize exercícios físicos dentro de casa e evite passar muito tempo na mesma posição, levantando-se de hora em hora para se movimentar um pouco”, aconselha a cirurgiã vascular. “O uso de meias elásticas também pode ser indicado, já que comprimem os vasos sanguíneos, melhorando o retorno venoso e, consequentemente, prevenindo a trombose.”

Por fim, a médica afirma que, ao analisar dados clínicos, não existem vacinas ou tratamentos isentos de riscos e complicações. “Existem, inclusive, uma série de efeitos colaterais aceitáveis e já esperados para a grande maioria dos imunizantes e medicamentos. E, especificamente no caso da Vacina de Oxford, a quantidade de complicações apresentadas é mais baixa do que o esperado em uma população normal. Então, por hora, não há motivos para a descontinuação do uso do imunizante”, diz. “Mas é claro que, caso você sinta dor na perna, principalmente na panturrilha, associada a inchaço persistente, calor, sensibilidade e vermelhidão, o mais importante é que você consulte um cirurgião vascular. Apenas ele poderá acompanhar sua situação, realizar um diagnóstico correto e, se for o caso, indicar o melhor tratamento para você”, finaliza a Dra Aline Lamaita.


FONTE: *DRA. ALINE LAMAITA

Cirurgiã vascular, Dra. Aline Lamaita é membro da diretoria (comissão de marketing) da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine, a médica é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000) e hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018). A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. RQE 26557

http://www.alinelamaita.com.br/

 

Último acesso: 16 May 2021 - 21:14:56 (1993).