Conheça cinco sinais de compulsão alimentar

A recuperação depende de apoio da família e da amizade para o retorno de uma relação saudável com si próprio

compulsão alimentar
Compulsão alimentar: entenda os gatilhos – depositphotos.com / Prot56

A compulsão alimentar é um problema complexo: difícil de diagnosticar e de tratar. Muitas vezes estigmatizada, pode caracterizar um sofrimento tanto para a pessoa quanto para sua família.

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Trata-se de um problema de saúde que merece atenção. Segundo dados da Associação Brasileira de Psiquiatria, estima-se que, no Brasil, cerca de 2% da população sofra com a compulsão alimentar em algum momento da vida. Além disso, a pesquisa revela que a maioria das pessoas que enfrenta esse transtorno não procura ajuda profissional, o que ressalta a importância de conscientizar sobre essa condição e os recursos disponíveis para tratamento.

Compulsão alimentar

De acordo com a psicóloga Vanessa Gebrim, especialista em Psicologia Clínica, a principal característica do transtorno é a necessidade de consumir grandes quantidades de alimentos, mesmo quando não se está fisicamente com fome. “Esses episódios podem ser intensos, muitas vezes acompanhados por uma sensação avassaladora de descontrole. Para ser considerada compulsão alimentar, esses episódios devem ocorrer pelo menos duas ou mais vezes por semana”, explica.

Abaixo, a psicóloga lista os principais pontos para quem deseja entender o transtorno. Confira:

1. Compreendendo as origens

O problema tem raízes profundas em fatores emocionais e comportamentais. Frequentemente, as pessoas recorrem à comida como uma maneira de lidar com emoções difíceis, como estresse, ansiedade, solidão e tristeza. “Durante os episódios de compulsão, as emoções ficam obscuras e a comida se torna um mecanismo de alívio para esses sentimentos negativos”, afirma.

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2. Sintomas da Compulsão Alimentar

Os sintomas são variados. No entanto, há em todos algo ligado a  uma sensação avassaladora de descontrole e falta de capacidade de interromper o consumo de alimentos. “Entre os principais sintomas dessa doença estão: comer mais rápido que o normal; alimentar-se quando não está com fome ou continuar comendo mesmo saciado; comer escondido; sentir-se triste ou culpada (o) por estar comendo”, indica Vanessa.

3. Gatilhos 

A compulsão, muitas vezes, surge por eventos traumáticos ou mudanças emocionais drásticas que afetam a saúde mental.No entanto, mudanças emocionais como términos de relacionamento, situações de aflição e angústia estão ligados à compulsão alimentar. “Quando a comida é utilizada como suporte emocional, tende-se a descontar frustrações, tristeza e estresse na alimentação. Depressão, ansiedade, baixa autoestima e traumas também podem desencadear quadros de transtorno alimentar. Não estar satisfeito com a aparência do próprio corpo é um dos fatores de risco da compulsão alimentar. Esse problema é mais comum entre adolescentes e jovens pois a estrutura emocional ainda está em formação”, revela.

4. Padrões de beleza

A saúde mental está atrelada aos nossos hábitos alimentares e diretamente ligada a séculos de criação de um ideal de beleza inexistente e tóxico. Por isso, tentar constantemente se encaixar também pode levar ao desenvolvimento de outros problemas alimentares como bulimia e anorexia. “O tempo todo, nas redes sociais e mídia, surgem novas dietas seguidas por modelos e atrizes, na maioria das vezes muito magras, associando magreza a saúde”. 

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5. Aprendendo a amar seu corpo

Em suma, a recuperação está ligada à reconstrução de sua autoestima. “O melhor método é fazer psicoterapia e também frequentar grupos de apoio. Ao descobrir que não está sozinho – contando com uma rede de pessoas que lhe entendem e acolhem – você renovará suas forças para enfrentar a compulsão alimentar”, aconselha.

Rede de apoio

Por fim, o apoio da família e amigos é essencial para voltar a amar seu corpo. “Colocar -se à disposição para ajudar: em muitos casos pode haver a necessidade de redução temporária de alimentos na casa que causem possíveis gatilhos em quem tem compulsão alimentar, e isso altera – e muito – a rotina da casa. Assim, ter paciência, e respeitar esse período será fundamental. Sabe aquele pudim que a família ama? Aquele passeio naquela padaria? Talvez seja um fator muito delicado para a pessoa em tratamento, que tal dialogar sobre o cardápio familiar e chegar em acordos? Isso inclusive pode ser construído em sessão com a nutricionista”, finaliza a psicóloga.

 * Fonte: Assessoria

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