bem-estar   / Benefícios do 'Janeiro Seco'

Janeiro seco: desafio de 31 dias sem álcool evita infertilidade e doenças, além de melhorar saúde da pele

O coração, fígado, memória e fertilidade agradecem a quem se propõe a ter um 'Janeiro Seco', livre de álcool; entenda

DRA. MARCELLA GARCEZ | DR. FERNANDO PRADO | DR. GABRIEL NOVAES DE REZENDE BATISTELLA | DRA. PAOLA POMERANTZEFF | DR. DANIEL CASSIANO | DRA. ALINE LAMAITA | HUGO ROBERTO LEWGOY Publicado quarta 12 janeiro, 2022

O coração, fígado, memória e fertilidade agradecem a quem se propõe a ter um 'Janeiro Seco', livre de álcool; entenda
Janeiro seco: desafio de 31 dias sem álcool evita infertilidade e doenças, além de melhorar saúde da pele - FREEPIK

Não é difícil achar quem aumentou o consumo de álcool durante a pandemia. Até mesmo entre aqueles que se controlaram, o final do ano pode ter colocado tudo a perder, com drinks alcóolicos para celebrar Natal e Réveillon. Segundo pesquisa da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), o consumo de álcool aumentou durante a pandemia, com um incremento altíssimo de 93,9% na quarentena: o trabalho confirmou que as bebidas alcoólicas são ingeridas para tentar amenizar o estresse do dia a dia. “O álcool é uma substância tóxica para o organismo humano e pode provocar doenças mentais, cânceres, problemas hepáticos como a cirrose, alterações cardiovasculares, com risco de infarto e acidente vascular cerebral, e a diminuição de imunidade, além de favorecer a desidratação, a inflamação e o acúmulo de líquidos”, diz Dra. Marcella Garcez, médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia.

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JANEIRO SECO: SEU CORPO AGRADECE

Em todo o mundo, a iniciativa Janeiro Seco visa desafiar a população a passar os 31 dias do mês sem álcool. E, embora os malefícios do álcool não se apagam do dia para a noite, acredite: um mês sem ele traz benefícios. Bebedores regulares que se abstiveram de álcool por 30 dias dormiram melhor, tiveram mais energia e perderam peso, de acordo com um estudo no BMJ Open. Eles também baixaram a pressão arterial e os níveis de colesterol e reduziram as proteínas relacionadas ao câncer no sangue, segundo o estudo. Veja abaixo mais motivos para evitar a substância:

O álcool reduz o metabolismo

O fígado é o responsável por digerir as bebidas alcóolicas. Porém, esse mesmo órgão é o responsável pelo metabolismo de gordura. “O fígado trabalha diariamente quebrando as gorduras da sua alimentação e eliminando as toxinas. Quando você bebe álcool, acaba adicionando mais uma tarefa na função do órgão. Dessa forma, seu fígado não consegue processar a gordura de maneira tão rápida e eficientemente, pois estará, também, trabalhando para expelir o álcool. Como consequência, ocorre a desaceleração do metabolismo, levando, inclusive, ao acúmulo de gordura”, explica a Dra. Marcella. Logo, como o fígado já estará sobrecarregado na tentativa de metabolizar o álcool, o recomendado é que, depois de consumir bebidas alcóolicas, você evite alimentos pesados, como carnes vermelhas, dando preferência a carnes brancas cozidas e grelhadas, além de muita salada e frutas.

O álcool está relacionado à infertilidade

Segundo o ginecologista obstetra Dr. Fernando Prado, especialista em Reprodução Humana, Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e diretor clínico da Neo Vita, um estudo do ano passado publicado no Human Reproduction, jornal mensal da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE), mostrou que as mulheres que desejam engravidar devem evitar o consumo excessivo de álcool. “Na segunda metade do ciclo menstrual, mesmo o consumo moderado de álcool está relacionado a chances reduzidas de gravidez, segundo o trabalho”, explica o especialista, que também é Doutor pelo Imperial College London e membro da Sociedade Europeia de Reprodução Humana (ESHRE). Segundo o médico, os possíveis mecanismos biológicos que podem explicar a associação entre o consumo de bebida e a redução das chances de engravidar podem ser que a ingestão de álcool afeta os processos envolvidos na ovulação, de modo que nenhum óvulo é liberado durante a parte ovulatória do ciclo, e que o álcool pode afetar a capacidade de um óvulo fertilizado se implantar no útero.

Hábitos ruins prejudicam o cérebro

Uma análise de adultos com 80 anos ou mais mostra que um estilo de vida mais saudável está associado a um menor risco de comprometimento cognitivo e que essa ligação não depende se uma pessoa carrega uma forma particular do gene APOE, ligado em vários estudos a riscos aumentados de demência e Alzheimer. Os dados foram publicados no meio do ano passado no periódico PLOS Medicine. A análise do estilo de vida levou em consideração pontos como tabagismo, peso corporal, padrão alimentar, atividade física e, também, o consumo de álcool – que já foi relacionado com problemas de memória. “A análise confirmou que os participantes com estilos de vida saudáveis eram significativamente menos propensos a ter prejuízo cognitivo do que aqueles com estilo de vida não saudável”, diz o Dr. Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA).

Bebidas têm efeito quase imediato na pele

A perda d’água causada pelo álcool afeta a saúde da pele. “A pele também é um dos tecidos periféricos de onde o organismo retira água para metabolizar o álcool. Como resultado, o tecido cutâneo pode sofrer com desidratação, descamação e perda de viço e brilho”, afirma a dermatologista Dra. Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Além de desidratar, o álcool também pode levar a um processo inflamatório da pele. “A inflamação crônica promovida pelo álcool piora a qualidade da pele, prejudicando sua firmeza e elasticidade e acelerando o envelhecimento cutâneo, além de favorecer o surgimento de doenças como acne, psoríase, rosácea e dermatite seborreica”, afirma o Dr. Daniel Cassiano, dermatologista da Clínica GRU Saúde e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Beber aumenta a predisposição a problemas circulatórios

Por favorecer a desidratação, o álcool, além de aumentar a incidência de câimbras e dores musculares, também pode fazer com que o organismo retenha mais líquidos. “Como resultado, ficamos mais inchados e a pressão sobre as veias e artérias aumenta, o que pode contribuir para o surgimento de problemas vasculares como varizes e trombose”, destaca a cirurgiã vascular Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Álcool também favorece surgimento de doenças orais

Outra estrutura afetada pela perda d’água causada pelo álcool é a boca, com danos principalmente aos dentes e gengiva. “O processo de desidratação causado pelo álcool provoca a diminuição na produção de saliva. Como resultado, ficamos mais suscetíveis ao desenvolvimento de doenças como cáries, gengivites e erosão dental, visto que uma das principais funções da saliva é justamente proteger os dentes e as mucosas orais”, conta o Dr. Hugo Lewgoy, cirurgião-dentista e doutor em Odontologia pela USP. 

Embora o vinho tinto e seco contenha polifenóis, como o resveratrol, que tem grande atuação antioxidante, o melhor é buscá-los no suco de uva. “Os destilados não são fontes de polifenóis e possuem maior concentração de álcool em sua composição, o que reduz seus benefícios à saúde. Além disso, bebidas como cachaça, vodca, whisky e tequila tendem a ser absorvidas mais rapidamente e, no geral, são mais agressivas para o fígado. Ou seja, devem ser evitadas ou limitadas a quantidades menores que uma dose diária”, finaliza a médica nutróloga.


FONTES:

*DRA. MARCELLA GARCEZ: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

*DR. FERNANDO PRADO: Médico ginecologista, obstetra e especialista em Reprodução Humana. É diretor clínico da Neo Vita e coordenador médico da Embriológica. Doutor pela Universidade Federal de São Paulo e pelo Imperial College London, de Londres - Reino Unido. Possui graduação em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e da Sociedade Europeia de Reprodução Humana (ESHRE). Whatsapp Neo Vita: 11 5052-1000 / Instagram: @neovita.br / Youtube: Neo Vita - Reprodução Humana.

*DR. GABRIEL NOVAES DE REZENDE BATISTELLA: Médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).

*DRA. PAOLA POMERANTZEFF: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), tem mais de 10 anos de atuação em Dermatologia Clínica. Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Santo Amaro, a médica é especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, e participa periodicamente de Congressos, Jornadas e Simpósios nacionais e internacionais.

*DR. DANIEL CASSIANO: Dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Cofundador da clínica GRU Saúde, o Dr. Daniel Cassiano é formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Doutorando em medicina translacional também pela UNIFESP. Professor de Dermatologia do curso de medicina da Universidade São Camilo, o Dr. Daniel possui amplo conhecimento científico, atuando nas áreas de dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica.

*DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular, Dra. Aline Lamaita é membro da diretoria (comissão de marketing) da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine, a médica é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (2000) e hoje dedica a maior parte do seu tempo à Flebologia (estudo das veias). Curso de Lifestyle Medicine pela Universidade de Harvard (2018). A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina. RQE 26557

*HUGO ROBERTO LEWGOY: Especialista, Mestre e Doutor pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo; Professor Colaborador do Instituto de Pesquisas Nucleares (IPEN) e do Mestrado Profissional em Biomateriais em Odontologia da Universidade Anhanguera (UNIAN); Pós-graduado em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Instrutor da filosofia individually Training Oral Prophylaxis (iTOP); Pós-graduado em Implantodontia pela Miami University e University of Berna; Membro do International Team of Implantology (ITI); Consultor Científico da Curaden Swiss.

Último acesso: 29 Jan 2022 - 09:59:44 (3867).